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Artigo

8º Episódio – Entrevista com Rui Marques

Telma Gonçalves

CEO at Grupo Academy

Introdução

Nesta entrevista com Rui Marques, CFO do Grupo Academy, falámos sobre o estado atual e futuro do fitness em Portugal, os desafios de liderança, os erros mais comuns na gestão de clubes e a importância da profissionalização do setor.

Entrevista

Como vês o momento atual do setor do fitness em Portugal?

Rui Marques: Há dois movimentos relevantes a acontecer atualmente. Por um lado, há uma forte consolidação dos grandes operadores, que já representam mais de 50% do mercado e estão cada vez mais profissionalizados.

Por outro lado, existe uma polarização: o middle market praticamente desapareceu, enquanto crescem estúdios de treino personalizado, liderados por empreendedores que já estavam no setor.

A boa notícia é que o mercado está a crescer. Mas isso exige cada vez mais profissionalismo e gestão rigorosa.

Quais são os principais erros que encontras nos negócios de fitness?

Rui Marques: Os erros existem em todos os níveis, mas destacaria três: nos microoperadores, o erro mais comum é avançar apenas com base no sonho e na paixão, sem um estudo de viabilidade económico-financeira.

No mercado em geral, noto muitas vezes uma falta de clareza na proposta de valor e no posicionamento — há quem diga que compete no low cost ou no premium, mas na prática não está realmente em nenhum dos lados.

Já nos grandes operadores, o maior desafio continua a ser a gestão de recursos humanos. É preciso trabalhar a employee value proposition para atrair, motivar e reter talento.

Que conselho deixarias para o mercado do fitness nos próximos anos?

Rui Marques: Destacaria dois conselhos muito claros. O primeiro é a profissionalização: negócios de fitness devem ser geridos por gestores com competências sólidas de gestão.

O segundo é a formalização: as empresas precisam de adotar práticas empresariais estruturadas, evitando a informalidade.

Estes dois pilares são fundamentais para aumentar a credibilidade do setor.

Como imaginas o setor do fitness em 2030, com a tecnologia e a personalização?

Rui Marques: O papel da tecnologia vai depender muito do modelo de negócio. Nos clubes low cost e staffless gym, a tecnologia é a base da experiência do cliente. Nos clubes premium, os profissionais são insubstituíveis e terão sempre um papel central.

Mais do que a importância da tecnologia na experiência de cliente no clube, o futuro está em experiências híbridas e omnicanalidade. O cliente quer poder treinar onde quiser: no clube, em casa, online, em viagem. E esse é o caminho: dar liberdade ao cliente de escolher “o que quiser, quando quiser, como quiser”. O que importa é que a marca ofereça essa flexibilidade.

Quais as competências que um gestor e um líder precisam aos dias de hoje?

Rui Marques: Gestão e liderança são papéis diferentes. A gestão está mais focada para o planeamento, organização e controlo — ou seja, essencialmente nos números e nos processos. Já a liderança tem o foco nas pessoas, tem a ver com alinhar, motivar e inspirar pessoas.

O desafio atual é que os gestores de clubes precisam de ser também líderes. Não é fácil, mas é isso que distingue quem realmente se destaca no setor.

Como olhas para o tema da felicidade nas organizações?

Rui Marques: A felicidade não deve ser tratada de forma leviana, como uma moda ou trend para usar no LinkedIn. É um tema sério e deve ser visto de forma científica.

Há fatores que fazem a diferença: uma liderança transformacional e visionária, um ambiente de justiça, comunicação e segurança, e ainda fatores motivacionais como autonomia, pertença, crescimento e significado.

Acrescentaria ainda um aspeto essencial: os colaboradores precisam de estar em flow. Ou seja, os desafios têm de estar equilibrados com as suas competências. Quando o desafio é demasiado grande, gera ansiedade; quando é demasiado pequeno, gera aborrecimento.

Conclusão

A entrevista com Rui Marques deixa-nos um mensagem clara: os gestores precisam de investir em conhecimento, planear a longo prazo e estar preparados para se reinventar. Só assim o setor continuará a crescer de forma sustentável e a ganhar relevância.

E tu, como imaginas o fitness em Portugal em 2030? Que mudanças já sentes no teu clube ou ginásio? Partilha connosco nos comentários.

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Telma Gonçalves

CEO at Grupo Academy