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Artigo

7º Episódio – Entrevista com Paula Caleça

Introdução

Nesta entrevista com Paula Caleça, Founder & CMO Grupo Gymnasium e Legend Gym falámos sobre a origem da marca, a expansão para Lisboa, os desafios do crescimento e a importância da cultura, tecnologia e consistência.

Entrevista

Como surgiu a ideia do Legend?

Paula Caleça: Foi algo muito orgânico. Depois de anos a visitar clubes em vários países como membro do grupo Rex Roundtable, percebi que o treino de força estava a ganhar protagonismo. Era uma tendência nítida e em Portugal ainda pouco explorada com foco.

Já tínhamos vontade de avançar com um conceito mais específico, e começámos a ver que os health clubs tradicionais servem para abrir mercado, mas as gerações mais novas querem algo mais afunilado, mais direcionado para performance e lifestyle. Foi aí que o Legend ganhou forma.

O Legend foi pensado desde o início como uma marca de estilo de vida?

Paula Caleça: Sim. Desde o nome ao ambiente, tudo foi pensado para criar uma marca com que as pessoas se identificassem. A ideia era que os membros sentissem que pertencem a algo maior — uma comunidade com valores e uma cultura própria.

O Legend não vende apenas treinos: vende consistência, superação, disciplina e presença. É uma vivência transformadora, onde o treino, a nutrição e o recovery estão integrados num só ecossistema.

Qual foi o maior desafio no processo de expansão da marca?

Paula Caleça: Depois das aberturas no Algarve (Faro e Olhão), o Legend avançou para Lisboa e sofreu alguns atrasos, não por falta de planeamento, mas por questões externas como fornecimentos e obras e este foi o grande desafio.

Apesar dos atrasos, a resposta dos clientes tem sido positiva. A equipa manteve sempre uma comunicação aberta e transparente e isso fortaleceu ainda mais a confiança na marca.

Há planos para expandir para outras cidades?

Paula Caleça: Queremos abrir mais uma unidade em Lisboa e outra no Porto, até 2026. Já nos abordaram para levar a marca para Madrid, mas para já estamos focados em consolidar o que temos em Portugal.

Não queremos abrir em todo o lado. O Legend não é para massas. Queremos crescer com critério, com foco na qualidade da experiência e na sustentabilidade da operação.

A comunicação da marca é um dos pontos fortes. Qual é o segredo?

Paula Caleça: A nossa comunicação assenta em cinco pilares:

  1. Consistência visual e de tom
  2. Coerência entre o que se diz e o que se faz
  3. Conhecimento profundo da persona (jovem adulto até aos 30)
  4. Um toque de humor, quando faz sentido
  5. Reforço constante da cultura da marca

Além disso, há preocupação em educar e inspirar. O podcast da marca é um exemplo disso, trazendo convidados que representam o estilo de vida Legend — pessoas com disciplina, performance e valores alinhados.

O staff também tem um papel enorme. Vivem a marca, representam-na com orgulho. Isso sente-se em cada interação com o cliente.

Como é que a marca gere o recrutamento e a cultura interna?

Paula Caleça: Nós não recrutamos apenas por currículo. Procuramos pessoas que partilhem os valores da marca e vivam a disciplina e a coerência que defendem.

Todos os meses temos formações internas. Passamos os nossos valores, trabalhamos a cultura da marca, falamos sobre detalhe, atendimento, forma de estar.

Isto não é uma conversa de uma vez e está feito. É uma coisa contínua. Alimenta-se. E exige clareza e consistência.

Que papel tem a tecnologia na operação?

Paula Caleça: Tem, mas não somos uma marca “tecnológica”. Temos uma app, QR codes, e usamos o CRM com algumas automações para leads e processos comerciais.

Para mim, a tecnologia deve servir para tirar tarefas chatas do nosso dia e dar-nos tempo para aquilo que importa: estar com pessoas. O fitness é sobre isso. Estar com pessoas. Não é estar atrás de um computador o dia inteiro.

E a inteligência artificial já está a ser usada nos vossos processos?

Paula Caleça: Já começámos a adotar. Temos fluxos automáticos que respondem a leads, ajudam na comunicação com clientes. Não substitui ninguém, só nos ajuda a chegar mais longe.

Conclusão

A entrevista com Paula Caleça mostrou-nos aquilo que muitos líderes do fitness já sentem na pele: crescer exige coragem, consistência e visão. Mas, acima de tudo, exige pessoas alinhadas com uma missão.

E tu? Que cultura estás a construir no teu clube? Partilha connosco nos comentários.

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