Introdução
Nesta entrevista com Paula Caleça, Founder & CMO Grupo Gymnasium e Legend Gym falámos sobre a origem da marca, a expansão para Lisboa, os desafios do crescimento e a importância da cultura, tecnologia e consistência.
Entrevista
Como surgiu a ideia do Legend?
Paula Caleça: Foi algo muito orgânico. Depois de anos a visitar clubes em vários países como membro do grupo Rex Roundtable, percebi que o treino de força estava a ganhar protagonismo. Era uma tendência nítida e em Portugal ainda pouco explorada com foco.
Já tínhamos vontade de avançar com um conceito mais específico, e começámos a ver que os health clubs tradicionais servem para abrir mercado, mas as gerações mais novas querem algo mais afunilado, mais direcionado para performance e lifestyle. Foi aí que o Legend ganhou forma.
O Legend foi pensado desde o início como uma marca de estilo de vida?
Paula Caleça: Sim. Desde o nome ao ambiente, tudo foi pensado para criar uma marca com que as pessoas se identificassem. A ideia era que os membros sentissem que pertencem a algo maior — uma comunidade com valores e uma cultura própria.
O Legend não vende apenas treinos: vende consistência, superação, disciplina e presença. É uma vivência transformadora, onde o treino, a nutrição e o recovery estão integrados num só ecossistema.
Qual foi o maior desafio no processo de expansão da marca?
Paula Caleça: Depois das aberturas no Algarve (Faro e Olhão), o Legend avançou para Lisboa e sofreu alguns atrasos, não por falta de planeamento, mas por questões externas como fornecimentos e obras e este foi o grande desafio.
Apesar dos atrasos, a resposta dos clientes tem sido positiva. A equipa manteve sempre uma comunicação aberta e transparente e isso fortaleceu ainda mais a confiança na marca.
Há planos para expandir para outras cidades?
Paula Caleça: Queremos abrir mais uma unidade em Lisboa e outra no Porto, até 2026. Já nos abordaram para levar a marca para Madrid, mas para já estamos focados em consolidar o que temos em Portugal.
Não queremos abrir em todo o lado. O Legend não é para massas. Queremos crescer com critério, com foco na qualidade da experiência e na sustentabilidade da operação.
A comunicação da marca é um dos pontos fortes. Qual é o segredo?
Paula Caleça: A nossa comunicação assenta em cinco pilares:
- Consistência visual e de tom
- Coerência entre o que se diz e o que se faz
- Conhecimento profundo da persona (jovem adulto até aos 30)
- Um toque de humor, quando faz sentido
- Reforço constante da cultura da marca
Além disso, há preocupação em educar e inspirar. O podcast da marca é um exemplo disso, trazendo convidados que representam o estilo de vida Legend — pessoas com disciplina, performance e valores alinhados.
O staff também tem um papel enorme. Vivem a marca, representam-na com orgulho. Isso sente-se em cada interação com o cliente.
Como é que a marca gere o recrutamento e a cultura interna?
Paula Caleça: Nós não recrutamos apenas por currículo. Procuramos pessoas que partilhem os valores da marca e vivam a disciplina e a coerência que defendem.
Todos os meses temos formações internas. Passamos os nossos valores, trabalhamos a cultura da marca, falamos sobre detalhe, atendimento, forma de estar.
Isto não é uma conversa de uma vez e está feito. É uma coisa contínua. Alimenta-se. E exige clareza e consistência.
Que papel tem a tecnologia na operação?
Paula Caleça: Tem, mas não somos uma marca “tecnológica”. Temos uma app, QR codes, e usamos o CRM com algumas automações para leads e processos comerciais.
Para mim, a tecnologia deve servir para tirar tarefas chatas do nosso dia e dar-nos tempo para aquilo que importa: estar com pessoas. O fitness é sobre isso. Estar com pessoas. Não é estar atrás de um computador o dia inteiro.
E a inteligência artificial já está a ser usada nos vossos processos?
Paula Caleça: Já começámos a adotar. Temos fluxos automáticos que respondem a leads, ajudam na comunicação com clientes. Não substitui ninguém, só nos ajuda a chegar mais longe.
Conclusão
A entrevista com Paula Caleça mostrou-nos aquilo que muitos líderes do fitness já sentem na pele: crescer exige coragem, consistência e visão. Mas, acima de tudo, exige pessoas alinhadas com uma missão.
E tu? Que cultura estás a construir no teu clube? Partilha connosco nos comentários.