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Artigo

11º Episódio – Entrevista com Mauro Frota

Introdução

Nesta entrevista com Mauro Frota – CEO e Co-founder da Bhout, descobrimos tudo sobre a jornada da marca, desde a ideia até à execução, a importância da diferenciação, o poder da gamificação e as lições de liderança que qualquer gestor de ginásio pode aplicar no seu próprio negócio.

Entrevista

Como nasceu a Bhout?

Mauro Frota: O projeto nasceu literalmente de um sonho. Juntava os meus dois mundos: quase 35 anos de artes marciais e mais de 25 anos na indústria do fitness.

A ideia foi a parte fácil. A parte difícil foi perceber como transformá-la em produto. Fiz investigação de mercado, analisei métricas e percebi que os desportos de combate eram dos que mais cresciam no mundo e que ninguém tinha criado um saco de boxe inteligente. 

Foram seis anos a testar materiais, camadas e sensações até criarmos o feeling certo. Só mais tarde, com capital, foi possível desenvolver toda a tecnologia.

Como foi levantar capital para algo tão disruptivo?

Mauro Frota: Fomos por etapas. Primeiro, business angels que acreditaram mais em mim do que no produto – porque ainda não havia produto. Depois veio uma bridge round, e mais tarde uma seed histórica de 10 milhões de euros, a maior de sempre numa fit-tech.

Esse capital permitiu-nos montar fábrica, desenvolver hardware, treinar algoritmos e verticalizar tudo: produzimos, testamos, fabricamos, abrimos clubes, criamos software e IA internamente.

O que diferencia verdadeiramente a Bhout de outros conceitos de fitboxing?

Mauro Frota: A ciência e a tecnologia. Não quisemos criar apenas “mais um conceito boutique com sacos”. Criámos:

  • um saco com IA real-time;
  • algoritmos que analisam cada golpe a cada 100 ms;
  • gamificação baseada em psicologia comportamental;
  • software que se adapta ao perfil de cada utilizador;
  • experiências imersivas com luz, música e feedback.

O mercado comunica sempre para os killers e os achievers – mas 80% dos clientes são socializers. O setor ignora-os. Nós não. E é por isso que o lifetime value dos nossos membros já vai nos 20-21 meses, quando a média do setor está entre 3 e 6 meses.

Como aplicam gamificação de forma tão eficaz?

Mauro Frota: Criámos uma matriz de mudança comportamental que junta a teoria da autodeterminação, nudging, teoria dos jogos e os perfis de jogadores (killers, achievers, socializers, explorers).

É isto que nos permite comunicar de forma diferente para cada pessoa.

Como trabalham a componente social?

Mauro Frota: O social faz parte do ADN da marca. Criámos o Coffee & Beer Club, onde há café e cerveja gratuitos com uma única regra: “nunca podes beber sozinho.”

E está a resultar. Sextas e fins-de-semana, que são fracos na maioria dos ginásios, são os nossos dias mais fortes.

O próximo passo é lançar uma “mini rede social” dentro da app, onde grupos, convites e interações são personalizados para o perfil psicológico de cada utilizador.

Qual é o papel do coach humano num conceito tão tecnológico?

Mauro Frota: Continua a ser essencial. A tecnologia potencia o coach, não o substitui. Temos:

  • câmaras que gravam todas as sessões;
  • avaliações mensais;
  • uma fórmula de coaching baseada em comportamento;
  • diferentes níveis de valor-hora consoante a performance.

E estamos a lançar a Bhout University, a nossa plataforma de e-learning para formar coaches em várias línguas – porque estamos a crescer em Portugal, Brasil, EUA, Médio Oriente, China e mais.

Que mercados além do fitness a Bhout está a entrar?

Mauro Frota: Alguns nasceram de forma orgânica, como:

  • Health Tech: Estamos a validar o saco como ferramenta terapêutica para Parkinson com a Faculdade de Medicina de Lisboa.
  • Defense Tech: Polícias e exércitos querem treinar combate corpo-a-corpo com o nosso saco + realidade aumentada.
  • Gaming e eSports: Estamos a lançar os Bhout Games, competições 8v8.
  • Corporate e Hospitality: Escritórios, hotéis e cadeias internacionais estão em lista de espera.
  • Consumer: Vamos lançar a versão para casa com multiplayer global.

Que lições de liderança tiraste ao construir uma marca global?

Mauro Frota: Liderar é vender o sonho, mesmo quando ainda não existe nada para mostrar. Rodeei-me de pessoas melhores do que eu em várias áreas.

E aplico sempre uma regra simples:

Se estou numa sala e sou a pessoa mais inteligente, contratámos mal.

Delegar, confiar e escalar é o único caminho para crescer.

Conclusão

A entrevista com Mauro Frota mostra de forma clara como a inovação verdadeira nasce da combinação entre visão, coragem e execução. A Bhout não se limitou a criar um produto – criou uma experiência diferenciadora, sustentada por ciência, tecnologia e um entendimento profundo do comportamento humano.

Para gestores, diretores e líderes do fitness, ficam quatro grandes aprendizagens:

  1. Diferenciação não é opcional – é o que separa marcas que crescem das que sobrevivem.
  2. Gamificação é ciência, não decoração – quando aplicada de forma estratégica, aumenta retenção, experiência e receita.
  3. Social continua a ser o maior motor do fitness – as pessoas ficam onde se sentem parte de algo.
  4. Liderar é formar outros líderes – ninguém escala sozinho; rodear-se dos melhores é um ato de inteligência, não de insegurança.

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