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Artigo

10º Episódio – Entrevista com Pedro Pinto

Introdução

Nesta entrevista com Pedro Pinto, fundador da Start Up – Fitness & Health Club, partilhou a visão de um gestor que cresceu fora dos grandes centros e construiu uma marca diferenciadora.

Falámos sobre o desafio de competir com cadeias, a importância de ter uma proposta de valor clara, a integração entre corpo e mente e o papel da tecnologia e da liderança no futuro do fitness.

Entrevista

Como nasceu a Start Up?

Pedro Pinto: Sou licenciado em Educação Física e comecei por abrir um pequeno ginásio numa freguesia do Marco de Canaveses, onde não havia nada semelhante. 

No início fazia de tudo — aulas, receção, comercial, limpeza — mas o negócio correu bem desde cedo.

Com o tempo, comecei a estudar e a perceber o que queria construir. O nome Start Up até surgiu por acaso, mas acabou por refletir o espírito da marca: começar pequeno, com ambição e vontade de crescer.

O que diferencia a tua marca num mercado tão competitivo?

Pedro Pinto: O nosso conceito é simples mas poderoso: integrar o corpo e a mente. 

Cada novo cliente tem a possibilidade de passar por uma consulta de psicologia incluída no processo de onboarding.

Acredito que o treino físico, a alimentação e o descanso não chegam se a mente não estiver bem. Muitas pessoas treinam e cumprem o plano alimentar, mas continuam sem resultados porque vivem em stress ou ansiedade.

Queremos ajudar a desbloquear essa primeira barreira e tornar o acesso ao apoio psicológico algo normal, acessível e parte da experiência de bem-estar.

Como é gerir um ginásio independente quando as grandes cadeias continuam a expandir?

Pedro Pinto: Já temos várias cadeias na nossa cidade — e virão mais. Mas vejo isso com bons olhos.

Acredito que os stand-alone têm algo que as cadeias invejam: proximidade real com o cliente. Elas têm escala, nós temos relação.

Claro que elas chegam com preços agressivos e mais recursos, mas se soubermos quem somos e tivermos uma proposta de valor clara, podemos competir de igual para igual.

Há aprendizagens que tenhas retirado das grandes cadeias?

Pedro Pinto: Sem dúvida. Gosto de observar, testar e adaptar o que vejo.

Costumo deixar o meu contacto em várias cadeias só para perceber como funciona o processo comercial: quanto tempo demoram a ligar, que abordagem fazem, que follow-ups usam.

Também passo muito tempo na biblioteca de anúncios da Meta, a ver o que grandes marcas estão a promover. É uma excelente fonte de inspiração — não para copiar, mas para perceber tendências e adaptar à nossa realidade.

Por que é que a proposta de valor é tão importante?

Pedro Pinto: Porque é o que nos mantém coerentes. Desde a comunicação até ao cancelamento da inscrição, tudo tem de bater certo.

Se digo que quero o melhor para o cliente, não posso depois complicar-lhe a vida quando ele decide sair.

A proposta de valor é o fio condutor que liga o que prometes ao que entregas. E, para mim, isso é a base do sucesso da Start Up.

O que mudou no mercado do fitness nos últimos sete anos?

Pedro Pinto: Mudou tudo. Quando comecei, a maioria dos ginásios eram independentes. Hoje, quase metade já são cadeias.

Mas vejo essa mudança com otimismo. Se o mercado está em movimento, significa que há espaço para inovar.

E acredito que o fitness do futuro vai ter um papel ainda mais importante, especialmente quando muitos trabalhos forem automatizados. As pessoas vão precisar de propósito, convívio e saúde mental — e o ginásio será o lugar ideal para isso.

Como estás a preparar o teu negócio para o futuro e para a inteligência artificial?

Pedro Pinto: Já integramos algumas soluções simples, como automações de contacto e gestão comercial, inspiradas no trabalho de consultores como o Francisco Seita.

Mas aprendi que a IA só faz sentido quando há processos bem definidos. Se o negócio não tem estrutura, a tecnologia não resolve nada. Antes de automatizar, é preciso organizar — e isso aplica-se a qualquer gestor.

Qual tem sido o papel da liderança no teu crescimento?

Pedro Pinto: Foi o meu maior desafio. Quando abri o segundo ginásio, percebi que não tinha definido perfis nem funções de liderança. Tirei pessoas muito boas das suas tarefas para liderar equipas — e acabei por perder produtividade e foco.

Hoje sei que um bom executor não é necessariamente um bom líder. E que as pessoas certas nos lugares certos fazem toda a diferença.

Que conselhos deixas a quem tem um pequeno ginásio e sente a pressão das grandes marcas?

Pedro Pinto:

  1. Não te compares. As cadeias têm recursos diferentes, mas também enfrentam problemas maiores.
  2. Não copies o preço. Não sabes se o modelo deles é sustentável.
  3. Sê coerente. O cliente de hoje decide com base no propósito e na emoção, não só no preço.
  4. Mantém calma. O mercado é cíclico e as marcas que se diferenciam resistem.

Como costumo dizer: “Se eu sou igual aos outros, vou falhar quase de certeza.”

Qual é o peso da comunicação no sucesso do Startup?

Pedro Pinto: É tudo. É a nossa montra.

A comunicação precisa de ser coerente com o propósito e com a experiência que entregamos no clube.

Gosto de pensar que o nosso slogan resume tudo: “Uns fazem pelo físico, outros pela mente.”

É isso que queremos representar — um espaço onde o fitness serve para equilibrar corpo e mente, e não apenas transformar o corpo.

Conclusão

Esta entrevista com Pedro Pinto mostra que diferenciar-se é a melhor estratégia de sobrevivência no fitness moderno.

Integrar psicologia, apostar na coerência entre promessa e entrega, e manter uma liderança humana e adaptável são ingredientes que fazem a diferença — mesmo num mercado dominado por gigantes.

👉 E tu, que proposta de valor estás a construir para te diferenciares?

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